
( * ) Luiz Roberto Carnier
Imagine
o trabalho de lançamento de uma nave espacial pela NASA,
com diversas equipes debatendo problemas técnicos e tendo
que decidir entre abortar a missão ou autorizar o lançamento
dentro de poucas horas.
Agora imagine
outra situação com uma força-tarefa militar
em inferioridade numérica surpreendida por um ataque inimigo,
ou ainda o cotidiano de um plantão de pronto-atendimento
de um hospital e que recebe inúmeros casos gravíssimos
todos ao mesmo tempo, típico daquelas cenas que você
já viu no cinema com médicos e enfermeiros obrigados
a tomar decisões rápidas e seguras.
Em todas estes
exemplos tanto na análise do problema como na avaliação
da situação e na tomada de decisão há
um ponto central em comum que é o resultado final, o qual
poderá representar a diferença entre a vida e a morte
de diversas pessoas além de outros aspectos.
Quais os fatores
que determinam a sucesso dos integrantes destas equipes? O que possibilita
todos estarem confiantes no trabalho a ser executado e no resultado?
Que fatores fazem com que os membros destas equipes acreditem e
confiem em seus líderes e colegas na tomada de decisões
tão importantes?
Certamente estamos
nos referindo a exemplos de equipes de trabalho de alta performance
em situações extremas, mas em realidades não
muito diferentes das situações vivenciadas pelas equipes
existentes nas empresas vencedoras que lutam não só
pela vida de suas empresas, mas almejam e conseguem a liderança
nos segmentos em que atuam.
Se em tese as
equipes das empresas vencedoras vão muito além do
que simplesmente não morrer e viver, porque essas empresas
não conseguem servir de exemplo para as demais? .
O que notamos
é que a maioria das empresas apesar do discurso e do esforço
em criar equipes de trabalho de alta performance o máximo
que conseguem é criar grupos que não passam de “ajuntamento
de pessoas” que vivem participando de reuniões e mais
reuniões.
Você já
reparou como aumentou o número de reuniões ultimamente
nas empresas?
Certa vez um
participante de minhas palestras definiu que na empresa dele trabalhar
era o que ele de vez em quando tentava fazer no curto espaço
de tempo disponível entre duas reuniões. Cada vez
mais inúteis arrematou.
O dia em que
as empresas entenderem a diferença entre uma equipe de trabalho
e um “ajuntamento de pessoas”, perceberão a inutilidade
de tantas reuniões. Neste dia com certeza as companhias de
aviação comercial irão à falência.
Pelo menos o tráfego na ponte aérea Rio-São
Paulo cairá drasticamente.
È fácil
distinguir a diferença entre uma equipe de trabalho de alta
performance em relação a um “ajuntamento de
pessoas”, até mesmo antes da formação
das equipes. Basta observarmos o comportamento das pessoas no seu
cotidiano e perguntar : são pessoas que colaboram espontaneamente
entre si? Existe clima de camaradagem entre estas pessoas? Como
elas reagem as diversas situações de seu cotidiano
profissional?
Com exceção das empresas que lutam pela liderança
de mercado vemos que a realidade da grande maoria aparentemente
é de pura sobrevivência. Se for assim, por que as pessoas
dispensam tão pouca importância à forma com
que são criadas as equipes de trabalho nas empresas?
É na
verdade uma questão de vida ou de morte, ou será que
você não está preocupado com isso? Veja o número
de desempregados que cada dia cresce mais.
Seja você
empregado ou empresário a mensagem é a mesma, e aí
eu pergunto: você faz parte de alguma equipe de trabalho na
sua empresa? Como é a sua equipe de trabalho? Ela é
coesa? Há uma definição clara dos objetivos
a serem alcançados? As pessoas colaboram entre si? Existe
liderança na sua equipe ?
Se a resposta
for “ não” , para qualquer uma dessas questões,
pode começar a se preocupar com o seu futuro e com o futuro
de sua empresa. Se a resposta for: “não sei”
a coisa ficou pior ainda.
Como nos exemplos
iniciais sobre as equipes da Nasa e dos hospitais, as empresas vencedoras
trabalham com equipes de alta performance que agem e se relacionam
mediante visões e valores compartilhados onde a cultura da
empresa privilegia soluções geradas de forma consensual
e com base em realidades de mercado.
È importante
que se diga que equipes de alta performance são formadas
por 7 a 10 pessoas no máximo. Se você tiver grupos
grandes você estará perdido pois é muito difícil
relacionar-se com pessoas de diversas áreas com pensamentos
e prioridades distintas e fazê-las trabalharem com harmonia
no nível exigido para alta performance .
Cada equipe
deve ter um líder (não um chefe) e as decisões
devem ser tomadas pela equipe e não exclusivamente pelo líder.
O papel do líder é o de coordenador das idéias,
inspirador das soluções e principalmente um incentivador
à criação de soluções inovadoras,
porém viáveis.
Como apontamos
muitas empresas dizem operar com equipes de trabalho, mas na verdade
estas “equipes” estão mais para “ajuntamento
de pessoas” pois carecem de identidade própria, ou
melhor dizendo padecem do excesso de identidades individuais não
coexistindo um compartilhamento de crenças e valores comuns.
Outro fator
de sucesso das equipes de alta performance é a diversidade
de especializações propiciando a criação
da massa crítica necessária, do contraditório
e do debate de alternativas. Cabe ao líder administrar estas
diferenças em prol de visões compartilhadas e em busca
do resultado a ser atingido
A diversidade
é fundamental para a criação de uma equipe
de alta performance, entretanto esta característica só
irá funcionar positivamente se houver respeito mútuo
entre os diversos membros da equipe e desde que haja compartilhamento
de informações.
Pode até
parecer truísmo mas dado o número de ocorrências
que tenho constatado sou obrigado a incluir uma menção
“lapidar” : não subestime a capacidade das pessoas.
Elas têm um alto senso de análise crítica, principalmente
quando são colocadas em posições de risco ou
descrédito, portanto não tente usa-las com meias verdades
ou na formação de “equipes” com propósitos
dúbios ou sem uma clara visão do que se espera como
resultado .
Conclusivamente
podemos resumir nossas observações sobre Liderança
e Formação de Equipes de Alta performance em 10 princípios
básicos :
1- Os objetivos
da equipe de alta performance devem estar bem claros e aceitos por
todos os seus membros assim como a estratégia a ser desenvolvida,
as metas, os controles e o prazo de execução. Quer
motivar e obter o comprometimento de sua equipe? Comece dizendo
qual o propósito do trabalho e o que é esperado da
equipe.
2- Lembre-se
que “ small is beautiful”. Não existe equipes
de alta performance com um número excessivo de pessoas mesmo
por que a rapidez de resposta é condição crítica
para a performance de resultados . Se você quer soluções
rápidas e eficazes crie uma equipe de alta performance, se
você quer adiar o problema crie uma comissão de estudos.
3 -A diversidade
das equipes é fundamental para a otimização
na formulação do problema, na avaliação
de alternativas e busca da melhor solução.Traga para
o sua equipe de alta performance pessoas que possam pensar de forma
proativa. Não confunda entusiasmo com proatividade , nem
tão pouco pessimismo com cautela e “pé no chão”.
4- Sem liderança
não existirão equipes da alta performance. Líder
não é patrão e nem o dono da verdade. O líder
é quem dá o tom, a cadência e a direção
em busca da solução final. É responsabilidade
do líder trazer a equipe para a realidade sempre que necessário,
corrigindo a rota seja por questões de processo ou de pessoas.
A primeira responsabilidade do líder é dizer qual
a realidade dos fatos - a última coisa a dizer é :
“ muito obrigado” .
5-. Em equipes
de alta performance o fator tempo é crucial e os talentos
devem ser otimizados e encorajados pelos líderes. Ao prorizar
as capacitações não invista em demasia na melhoria
dos pontos fracos das pessoas, pois o esforço, energia, tempo
e dinheiro requeridos poderão ser muito grandes e há
sempre o risco de se alcançar incrementos modestos e que
levarão a frustração e desmotivação,
primeiro do liderado e depois da própria equipe.
Em equipes de
alta performance é preferível encorajá-las
a melhorar ainda mais seus Pontos Fortes e principalmente os pontos
potencialmente favoráveis, pois a vivência nos indica
que pequenos progressos nos pontos positivos representam ganhos
incrementais expressivos, atingindo desempenhos excepcionais em
prol dos resultados e principalmente para a moral da equipe.
6 -Cada componente
da equipe deve ter extraordinária autoconfiança e
auto-respeito para que sejam respeitados conseguindo desta forma
o respeito e a confiança dois demais membros. Igualmente
cada membro da equipe deve respeitar a opinião dos demais
e debater todos os pontos de vista com isenção de
ânimos ou paixões pessoais. O que importa é
o resultado a ser alcançado
7 - Outro ponto
importante é que as soluções dos problemas
sejam tratadas e resolvidas pela própria equipe. Não
se pode esperar motivação e comprometimento se as
decisões da equipe tenham que ser referendadas ou decididas
por terceiros totalmente alheios ao problema e aos debates que serviram
para a equipe concluir sobre o assunto. Equipe que não tem
poder de decidir é grupo de apoio. O nosso assunto aqui é
Equipes de Alta Performance
8- As equipes de alta performance não podem ser herméticas
e só “respirarem” suas opiniões por mais
brilhantes que sejam as idéias e o quilate de seus líderes.
Em um mercado altamente dinâmico e volátil as visões
e percepções externas devem sempre ser bem vindas
a equipe, principalmente a opinião dos clientes, fornecedores
e consultores externos, pois eles poderão agregar fatos novos
ou visões alternativas, principalmente os clientes.
9 - As empresas
não compram produtos elas estabelecem relacionamentos, desta
forma o conceito de equipe de alta performance se estende às
equipes mistas criadas entre empresas e seus clientes ,assim como
entre os membros da equipe interna da empresa e seus diversos parceiros
como fornecedores canais de distribuição, bancos,
agencias de publicidade e consultorias diversas com os quais a empresa
interage.
10 –
“ The last but not the least” . Uma equipe da alta performance
necessita de medidores de resultados, feed-backs qualitativos e
quantitativos. Não há motivação sem
informação e sem controles de resultados. Lembre-se
tudo aquilo que não conseguimos medir, não conseguimos
controlar.
(*) Luiz
Roberto Carnier- Palestrante internacional. Coordenador acadêmico
e
professor na EAESP da FGV-São Paulo
Contato
: E-mail : palestra@carnier.com
- São Paulo
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