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Luiz Roberto Carnier
Nos últimos
anos tenho incluído o assunto Marketing e Inovação
como tema central em algumas de minhas palestras e workshops dado
o extraordinário interesse de meus clientes e do público
em geral tanto no Brasil como no exterior .
Para o meu espanto entretanto após um bom tempo em que falo
sobre este assunto pude perceber que nos últimos meses a
mídia especializada internacional e a local por conseqüência,
voltaram a mencionar com grande ênfase o tema Inovação
com um tom de grande novidade e como sendo "a bola da vez da
Gestão de Negócios" .
Aproveitei até este fato para inclui-lo em uma palestra que
realizei na EXPOMANAGEMENT em Setembro de 2002, enfatizando que
a Inovação não era nenhum assunto novo e a
maior evidência daquela constatação era o próprio
evento EXPOMANAGEMENT que no ano anterior trazia como tema central
: "Como conviver com as lições do desastre da
nova economia", ao mesmo tempo em que todos poderiam recordar
que uns dois anos antes o assunto não era outro que não
: "Como migrar para a nova economia" .
Ao contrário de tudo que aparece meteóricamente e
acaba desaparecendo da mesma forma, podemos afirmar que : Inovação
não é nenhum fato novo na gestão das empresas
vencedoras, e quando apontamos a correlação entre
Marketing e Inovação estamos quase que cometendo um
pleonasmo pois não há nada tão dinâmico
e inovador em negócios do que as ações de Marketing
.
A primeira menção sobre a correlação
entre Marketing e Inovação foi feita por Peter Drucker
em seu livro The Pratice of Management afirmando que " Marketing
e Inovação Produzem Resultados" ... tudo mais
não passa de custos, despesas e problemas .
O único
fato novo é que este livro foi originalmente publicado em
1954 !!!!
Eu tinha 4 anos na ocasião, portanto nem eu nem o binômio
Marketing e Inovação somos fatos novos .. esperamos
pelo menos que a nossa abordagem seja novidade para muitos.
Em breve os dicionários estarão apontando o termo
Marketing como sinônimo de Inovação pois o mercado
está cada vez mais dinâmico exigindo obrigatoriamente
a mutação constante das empresas e de seus produtos
e serviços. É neste ponto que entra em cena o binômio
Marketing e Inovação gerando resultados .
Em um levantamento sobre as empresas mais bem sucedidas no mundo
pude constatar que todas sem exceção comungam da idéia
de que somente com Marketing e Inovação conseguiram
chegar lá.
O termo Inovação para muitos está ainda ligado
a mudanças em tecnologia de produtos, equipamentos e métodos
de produção, e aí é que está
o primeiro equívoco .
As empresas e pessoas que assim pensam não consideram a eficácia
do binômio Marketing e Inovação pois são
empresas voltadas a produtos e não a mercados. São
pessoas que foram "treinadas" a desenvolver o que a elas
cabe executar em seus cargos e não sobre como explorar sua
capacidade em poder fazer algo sempre inovador em prol do negócio
em sua totalidade ou seja : em prol de um relacionamento duradouro
entre a empresa e seu mercado .
Pull and Push Innovation
Strategy
É
como eu chamo o efeito Marketing e Inovação nas empresas,
ou seja: é através da Inovação do Relacionamento
com clientes, fornecedores e demais agentes externos é que
poderemos gerar inovações internas, não só
em produtos mas principalmente em processos e estratégias
de gestão para aí sim gerarmos o desenvolvimento de
inovações tecnológicas em produtos .
A fonte da Inovação está na força motriz
do mercado e não na força motora da empresa .
Muitas empresas defendem a tese equivocada de que o mercado não
sabe o que quer e a partir desta falsa a premissa decidem sair na
frente, e a oferecer o que o mercado "realmente necessita",
fruto de pesquisas de mercado muito questionáveis em suas
premissas e outros "malabarismos", sempre no sentido de
descobrir tendências e aí se antecipar aos concorrentes.
Outras imaginam
o contrário e acreditam no princípio de que temos
que escutar o cliente e se antecipar e apresentar uma solução
inovadora .
Tanto uma tese quanto a outra privilegiam a rapidez e a estratégia
de sair na frente. Velocidade é fundamental desde que estejamos
correndo na direção correta, e hoje em dia não
temos tempo para errar.
A história nos mostra inúmeros exemplos de empresas
que saíram na frente mas que não conseguiram decolar
exatamente por que a estratégia foi: antecipar-se, ou por
que o mercado não sabe o que quer - nós e que sabemos
- ou a opção número 2 : após ouvir o
cliente " temos que lançar o produto certo" imediatamente.
O que pude observar entretanto é que as empresas Inovadoras
em sua totalidade abandonaram o conceito de cliente e fornecedor
há muito tempo e ao invés de ouvir e solucionar problemas
com primazia, passaram a focar na oportunidade para ambos , ou seja
: o foco não está nos problemas - vamos encontrar
oportunidades .
Por este enfoque fica mais fácil entender que sair na frente
por achar que o mercado não sabe o que quer, ou sair na frente
após ouvir o cliente, tanto uma forma como a outra apenas
aumentam a chance de gerar um produto ou serviço com imperfeições
ou totalmente fora da realidade.
As empresas Inovadoras adotaram como estratégia um conjunto
revolucionário de ações que exigiram o Realinhamento
da Cultura da empresa de forma a " não mais ouvir o
problema do cliente" e sim a devolver o problema ao cliente
e juntos questionarem o problema até transforma-lo no que
realmente interessa ou seja : em oportunidades para ambos , gerando
o perfeito senso de parceria e de relacionamento duradouro.
Ao deixar de " ouvir os clientes" ou criar produtos pela
sua própria " intuição " as empresas
Inovadoras passaram a praticar Inovação e Marketing,
centradas no mercado e não no ambiente interno ou em produtos
.
Como decorrência economizaram alguns bilhões de dólares
em pesquisa de mercado inócuas , reduziram drasticamente
os SACs - Serviços de Atendimento ao Consumidor e Call Centers
e praticamente transferiram para os clientes todos os custos diretos
e indiretos de Research and Development , Engenharia de Produtos
e atividades afins .
Neste sentido a relação custo-oportunidade fica otimizada
pois se de um lado as empresas inovadoras conseguem reduzir custos
operacionais, por outra dimensão conseguem gerar comprometimento
de parceria principalmente com a eliminação do desgaste
habitual gerado pelo fenômeno tentativa- erro e acerto nos
processos de desenvolvimento de amostras que vão e voltam
para aprovações e aperfeiçoamento. No caso
de serviços a situação é mais crítica
ainda pois não dá para enviar uma amostra do serviço
para ser aprovada.
Analise sua estratégia como um todo , não restrinja
sua visão meramente `a dimensão comercial de seu negócio,
e você verá que Inovação e Marketing
caminham juntos .
Inove me
todos os sentidos , questione tudo o que é feito em sua empresa
e procure Inovar sempre .
Não centre as atenções em produtos e sim em
mercados, busque oportunidades e não soluções
de problemas. Crie oportunidades inovadoras e o mercado te retribuirá
com mais oportunidades e mais inovações , sempre .
( * ) Luiz
Roberto Carnier
Palestrante internacional em
inúmeros eventos, cursos, seminários e workshops no Brasil,
América Latina, Estados Unidos, Canadá sempre na área de
Gestão Estratégica de Negócios.
Coordenador
e Professor da FGV- S.P. e do Executive MBA da BSP - Business School
São Paulo. Sócio do NETVIEW Consulting Group - empresa
de Consultoria de Gestão. Clientes : Pfizer ; COMGAS; Reebok;
Kraft Foods ;Arvin Meritor; Symrise; BAYER - Latino América-
Brasil Argentina, Chile e Colômbia dentre outras no Brasil
e no exterior.
Contato : E-mail : palestra@carnier.com
- São Paulo
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